Algodão em NY – Semana de queda significativa no mercado, com especuladores saindo em massa de suas posições.  Com o mercado em limite de baixa ontem, o contrato Jul/21 fechou em 79,52 U$c/lp, queda de 8% nos últimos 7 dias.  Desde o pico no final de Fevereiro, o contrato já perdeu 15 U$c/lp.

– Preços – O preço do algodão brasileiro Middling 1-1/8” (31-3-36) posto Ásia está em 91 U$c/lp (-4% na semana) para embarque em Mar-Abr/21 e 90,25 U$c/lp (-3% na semana)  para embarque em Out-Nov/21.  Tabela com mais detalhes abaixo.

– Altistas – Mesmo com o mercado em baixa na semana, é importante destacar que os fundamentos de mercado não se alteraram de maneira significativa.  Apesar das (poucas) chuvas, a seca no Texas continua e o ritmo de exportações segue forte. Além disso, a área de plantio deste ano nos EUA ainda é incerta e está pressionada por conta da relação de preços algodão x grãos.

– Baixistas 1 – Analisando os fatores baixistas, é importante destacar que a pandemia COVID-19 continua preocupando e limitando o crescimento, principalmente na Europa.  A grave situação no Brasil também está no radar, além das tensões sobre distribuição de vacinas entre a UE e Reino Unido além da Índia limitando exportações da vacina.

– Baixistas 2 – Os novos capítulos da relação EUA-China também contribuíram para a onda baixista.  Após o boicote de produtos com algodão de Xinjiang, os americanos, liderando uma coalizão com seus aliados da Europa e Canada, impuseram novas sanções à China por conta das acusações de campos de trabalho forçado na região.

– Baixistas 3 – A China, por sua vez, nega as acusações e já retaliou com sanções aos ocidentais.  Ao mesmo tempo, esta semana há uma forte campanha nas redes sociais defendendo algodão produzido em Xinjiang e pedindo boicote a várias marcas de varejo que proibiram os produtos da região.  Somente a hashtag #euapoioalgodãodeXinjiang já teve até ontem 1,8 bilhões de visualizações.

– Exportações – Exportações brasileiras de algodão na 3a semana de março foram de 49 mil toneladas.  O acumulado do mês nestas três semanas é de 153,8 mil tons.  Com estes números, mar/21 já é o maior mês de março da história, superando as 140 mil tons de mar/20.

– Relação Paquistão-Índia – O comércio de algodão entre os dois países foi suspenso em 2019 pelo Paquistão devido a litígios de fronteira na região da Caxemira. Os primeiros-ministros dos dois países estão em negociação que pode levar à suspensão do embargo.

– A Austrália teve cinco dias de chuvas contínuas, com algumas áreas recebendo as maiores precipitações em mais de meio século. Com isso, os reservatórios estão se enchendo, o que traz esperança de melhores dias para a cotonicultura local.

– Apesar de não interromper o comércio de algodão, o bloqueio do Canal de Suez impacta diretamente a cadeia têxtil pois esta é a principal via de exportação marítima de toda a Ásia para a Europa. A operação para desencalhar o navio Ever Given, um dos maiores navios do mundo com 400 mts de comprimento, pode levar muitos dias ainda.  A cada dia de interrupção, em torno de US$ 10 bilhões de mercadorias deixam de transitar pelo canal.

– Agenda – O relatório de intenções de plantio do USDA para esta safra será divulgado na quarta-feira, 31/mar. Entretanto, após o fim da pesquisa com produtores o mercado caiu mais 10 U$c/lp, o que pode indicar que o número anunciado pode estar acima do que será efetivamente plantado. A estimativa do USDA em Janeiro foi de 12,00 milhões de acres.

Fonte:www.abrapa.com.br

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