Tour nas fazendas produtoras de Algodão do Piauí

Durante os dias 4, 5 e 6 de Fevereiro a equipe técnica da Apipa e o Consultor Dr. Eleusio Curvelo Freire fizeram um Tour em oito fazendas produtoras de algodão no Cerrado Piauiense, encerrando as visitas com participação no 2º Encontro Técnico da Fitoagro.

A realização das visitas teve como objetivo,  iniciar um trabalho de acompanhamento junto aos produtores e gerentes, realizando consultoria, com vistas a buscar sustentabilidade na cultura do algodão, além do incentivo à entrada de novos produtores oriundos do complexo  soja.

Um dos principais gargalos a nível de campo, no manejo com o algodão nos cerrados do Piauí, pela experiência das fazendas produtoras, é o estabelecimento da cultura. Realizar plantio com distribuição e profundidade uniformes é possível, desde que se use máquinas bem reguladas, velocidade adequada e seja realizado um acompanhamento com equipe preparada, porém as épocas  consideradas ideais para o plantio do algodão no Piauí, de 10 de Dezembro a 10 de Janeiro, geralmente são acometidas pôrveranicos, com isso, é preciso ficar atento  as previsões do tempo e, se necessário, antecipar o plantio.

Nessa safra, os primeiros plantios de algodão iniciaram na segunda quinzena de Novembro e os últimos finalizaram na segunda quinzena de Janeiro, ou seja, do primeiro plantio ao último se passaram quase sessenta dias , implicando também em problemas fitossanitário, pois poderá ocorrer a  migração de pragas de lotes de algodão mais velhos ,  para os  lotes mais novos, além da dificuldade de manejo com o Bicudo do Algodoeiro.

Além do estabelecimento da cultura, a maioria das áreas com algodão neste momento tem incomum, problemas com mosca branca (bemisia tabaci), principalmente nesse momento de inicio da colheita da soja (pragas migram da soja para o Algodão), problemas com lagarta Spodoptera (Spodoptera spp) e Pulgão (aphis gossypii). Pulgão e Mosca Branca são pragas que podem prejudicar a qualidade de fibras caso não haja controle eficiente, principalmente no fim do ciclo.

Entre outros desafios ao plantio do Algodão, no Piauí temos uma infraestrutura deficiente, principalmente no tocante a logística e energia elétrica, dificultando também a instalação de usinas algodoeiras para beneficiamento do Algodão. Além disso, falta incentivos por parte do Estado.

Participação no 2º Encontro Técnico FITOAGRO – Serra do Quilombo, Bom Jesus

O Tour às fazendas produtoras de Algodão finalizou com a participação no segundo encontro técnico realizado pela FITOAGRO, empresa de Pesquisa e Consultoria Agrícola sediada no município de Bom Jesus – Serra do Quilombo, Sul do Piauí. O evento consiste na troca de informações voltadas as culturas de grãos, sendo as principais, soja e milho, no cerrado Piauiense. Esse ano a direção do evento abriu as portas para que a Apipa e outras empresas pudessem levar profissionais da área de algodão. A Apipa levou para o Evento o Dr. Eleusio Curvelo Freire – Consultor na Cotton Consultoria, Eng. Agrônomo, Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, foi chefe geral da Embrapa Algodão e pioneiro nas pesquisas com melhoramento do algodoeiro nos cerrados de Mato Grosso, Goiás e Bahia. No Stand da Fitoagro, Além do Dr. Eleusio Freire, a Syngenta levou o Consultor Jonas Guerra, Engenheiro Agrônomo e Diretor Presidente na Guerra Consultoria com atuação em todo o estado de Mato Grosso. Também participou no Stand o Eng. Agrônomo Emilio Schmiit, Especialista em fertilidade dos solos – sócio do grupo Analys e consultor de fertilidade dos solos em 300 mil hectares no Estado do Piauí.

Os principais temas abordados durante o evento foram:

– Adubação do Algodão – Emilio Schmitt

Emilio focou na fertilidade envolvendo a cultura do algodoeiro, destacando essa planta como muito exigente aos elementos do solo quando comparados a soja, por exemplo. Sendo o algodoeiro exigente em elementos móveis, como o Nitrogênio e Potássio. Há um agravante, o pico de consumo desses nutrientes é próximo dos 100 dias em algumas cultivares, ou seja, é necessário o produtor realizar aplicações parceladas. Uma área para estar apta a receber a cultura do algodão, precisa estar com os níveis de cálcio alto e um perfil de solo bem construído, destacou Schmitt em parte de sua apresentação.

– Aspectos gerais da cultura do Algodão no Piauí: mercado, perspectivas futuras e manejo – Dr. Eleusio Freire

Dr. Eleusio fez uma breve e sucinta apresentação da cadeia produtiva do algodão, destacando a importância da Abrapa – Associação Brasileira dos Produtores de Algodão e das associadas em cada Estado produtor. Frisou um pouco da trajetória das certificações ABR e BCI, como sendo parte importante do processo, principalmente para comercialização da pluma. Destacou os principais requisitos e/ou condições para um novo produtor de Algodão. Destacou também aspectos importantes no manejo e custos de produção.

– Fenologia, Manejo e Posicionamento para Algodão – Jonas Guerra

Dr. Jonas apresentou o grande potencial de produtividade que a cultura do algodão possui e que ela expressa esse potencial desde que suas necessidades sejam bem atendidas no que se refere ao perfil de solo, mas principalmente as questões de clima, temperatura, água e luz. Frisou o grande potencial também do Piauí para o cultivo com Algodão.

EDSON NERE A SOUSA
Técnico de Campo


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