Pesquisador da Embrapa Algodão realiza visita técnica às Fazendas produtoras do Piauí

Durante a última semana de Fevereiro realizamos, junto com um Pesquisador da Embrapa Algodão, Dr. Fábio Aquino de Albuquerque, uma rodada por todas as fazendas produtoras de algodão do Estado do Piauí, iniciando pela região e/ou Núcleo de Uruçuí e finalizando no Núcleo de Corrente, na divisa com a Coaceral, no Estado da Bahia.

A visita do Pesquisador da Embrapa Algodão às áreas produtoras de Algodão do Piauí teve como principais objetivos, o conhecimento sistêmico da problemática do complexo de pragas, envolvendo principalmente o Bicudo do Algodoeiro e as tecnologias de cultivares de algodão, as quais, cada vez mais, vem perdendo a “disputa” contra as pragas. Esse diagnóstico das áreas produtoras abre leque também para a Apipa – Associação Piauiense dos Produtores de Algodão buscar apoio e/ou parceria com a Embrapa Algodão em projetos futuros, não somente no que se refere ao controle de pragas, mas quanto aos manejos em geral.

Pressão de pragas

A cultura do Algodão por ter um ciclo longo, variando entre 130 e 200 dias em média, favorece ataque maior de pragas e das mais diversas. Um exemplo prático é a Mosca Branca que inicia atacando as primeiras culturas instaladas no campo, nesse caso a soja, e segue sobrevivendo em cultivos sucessivos, nesse caso a cultura do algodão, seguindo o exemplo de propriedades com o tripé Soja-Milho-Algodão. Do mesmo modo a lagarta do cartucho ou militar, de nome científico Spodoptera frugiperda, ataca tanto a soja como o milho e continua a sobreviver na cultura do algodão, além de milheto, braquiária e várias tipos de plantas daninhas. Em muitos casos o problema com a Spodoptera inicia bem cedo, antes da instalação das culturas principais.

Durante a visita às fazendas observamos como principais pragas comuns presentes nas propriedades a Lagarta do Cartucho, o Pulgão e a Mosca Branca. Até o momento não tem sido relatada pressão de doenças e nem visto problemas graves a nível de campo.

Lagarta do Cartucho ou Militar – Spodoptera frugiperda

A nível de campo, além do estabelecimento da lavoura, a cultura do algodão possui outras dificuldades como o controle efetivo das pragas, principalmente o Bicudo do Algodoeiro, que felizmente, ainda tem pouca pressão no Estado. Além do Bicudo, a Spodoptera frugiperda tem grande flexibilidade e facilidade em criar resistência a vários inseticidas e às tecnologias das cultivares de algodão, que são também tecnologias do milho, por exemplo. Essa problemática é somada devido uso indiscriminado de produtos que eliminam predadores naturais aliado ao controle tardio da praga, quando há dificuldade em atingir o alvo devido o algodão estar em estágio de crescimento avançado.

Spodoptera frugiperda

Segundo o Dr. Fábio, o uso em sucessão (um cultivo após o outro) ou em situações onde há a presença das duas culturas no campo ao mesmo tempo, com o mesmo tipo de tecnologia Bt, podem estar exercendo maior pressão de seleção sobre a Spodoptera. Segundo relatos de produtores e técnicos, a tecnologia está perdendo eficácia em cerca de dois anos em campo. Esse tipo de problema já é bastante conhecido, contudo em alguns momentos a facilidade de uso dos Bts acaba por induzir o uso da tecnologia sem cuidar adequadamente da sua persistência no campo. Inicialmente, a Spodoptera não era uma praga adaptada o algodão, contudo com as extensas áreas de cultivo de milho ela acabou migrando para outras culturas, dentre elas o algodão, e caso de resistência a proteínas Bt já existem desde o início dos anos 2000. Soma-se a isso a grande capacidade de dispersão que essa praga tem, fazendo com que seja tão ou mais importante que o bicudo-do-algodoeiro. A pressão de seleção selecionará indivíduos resistentes à tecnologia em uso, seja Bt ou inseticidas. Destaca-se ainda que se deva considerar o manejo da mariposa da Spodoptera. É possível usar o controle por comportamento para auxiliar na detecção e manejo das mariposas, isso pode ser feito com o uso de atrativos alimentares a base de açucares e proteínas e também pelo uso de feromônio sexual, combinado com uso de inseticidas.

O pesquisador chama a atenção que não apenas os danos diretos devem ser considerados, mas também seus efeitos colaterais. Com a pressão e quebra da resistência, há necessidade de uso mais intensivo de inseticidas e nem sempre sua eficiência é comprovada, pois a praga pode também ser resistente aos diferentes grupos químicos, além disso, há o desequilíbrio causado pelo uso excessivo dos inseticidas, isso provoca morte de inimigos naturais de pragas secundárias que podem adquirir status de praga chave. Foi observada em algumas fazendas a presença de tripes em flor de algodão, normalmente essa praga ataca o algodoeiro na fase inicial do crescimento. A ocorrência na flor pode trazer perdas e ter o controle comprometido devido à dificuldade das gotas da calda não atingirem o alvo.

Observamos também outras pragas comuns aos cultivos de algodão como o pulgão do algodoeiro, de nome científico Aphis gossypii, e a mosca branca, de nome científico Bemisia tabaci. Essa última, assim como a Spodoptera, vem de cultivos da soja, geralmente plantada antes do algodão. É importante destacar que há relatos na maioria das fazendas produtoras de Algodão do Brasil de problemas com as três pragas citadas nessa matéria (Lagarta Militar, Mosca Branca e Pulgão do Algodoeiro).

Bicudo do Algodoeiro – Anthonomus grandis

Durante as visitas às áreas produtoras não houve detecção do Bicudo, nem adulto e nem postura. Como estratégias preventivas para evitar presença do Bicudo no Estado, segue:

– Realizar um bom vazio sanitário, com zero de plantas de algodão na entre-safra;

– Eliminar plantas de algodão em carreadores e beiras de cerrados;

– Atentar para a entrada de implementos e máquinas vindos de áreas com algodão, principalmente quando há histórico da praga;

– Durante a safra, realizar aplicações específicas de acordo recomendações para a região;

– Realizar um bom controle de destruição de soqueiras;

– Realizar manejo adequado com herbicidas pré-emergentes em cultivos sucessivos ao algodão;

– Evitar plantar Milho pós Algodão;

– Realizar monitoramento intensivo para a praga.

TREINAMENTO DE PRAGAS DO ALGODOEIRO

Além das visitas o Pesquisador Fábio ministrou um treinamento de pragas do algodoeiro na Fazenda Nova Fronteira, do Grupo ProduzirAgro, no Núcleo de Santa Filomena. As equipes das Fazendas Cerrato, São Pedro (CPM Agrícola) e Nova (Grupo Santa Inácio) participaram do treinamento.

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