Perspectivas do Algodão Piauiense safra 2019/2020

Nesta safra, o plantio de algodão no cerrado Piauiense chegou a 17.302 hectares e, de acordo as avaliações a campo, possui ótimas perspectivas de produtividade, pois como já informado em notícias anteriores e no informático da Apipa número 003 (março 2020), os stands da maioria das áreas estão muito bons e mais uniformes que a safra 2018/2019. No entanto, para uma boa produtividade é necessário que ainda chova bem no mês de abril, em virtude do plantio ter-se realizado já no final de dezembro de 2019 e emergência da maioria das áreas em janeiro de 2020, ou seja, atraso de quase um mês, considerando os anos anteriores. 

Foto 01: área de algodão sobre braquiária

Além da uniformidade do plantio, o que se percebe é uma menor pressão de lagartas, mas, entre outras menos importantes, pragas como o pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) e mosca-branca (Bemisia tabaci) tem apresentado pressão relevante em algumas áreas. O manejo dessas pragas é importante pois podem prejudicar a qualidade da pluma, principalmente a partir do momento que começa a abrir as primeiras maçãs. 

Aphis gossyppi – Circular Técnica 131 (Embrapa) 

A sucção contínua deixa as folhas dos ponteiros enrugadas, encarquilhadas e os brotos deformados. O desenvolvimento da planta é prejudicado e se verifica presença de mela nas folhas inferiores, que formam uma mancha brilhante constituída de material adocicado (honeydew) excretado pelos insetos; a mela atrai diversas formigas que vivem em simbiose com os pulgões e atrai, também, fungos Capnodium spp. que formam a fumagina, a qual dificulta a absorção da radiação solar pelas folhas da planta. No final do ciclo da cultura, a excreção do honeydew causa o chamado “algodão doce” ou o “algodão caramelizado”, ou seja, a pluma fica manchada e perde qualidade. As condições favoráveis ao aumento populacional são: condições de tempo nublado, quente e úmido e ausência de inimigos naturais, enquanto chuvas fortes reduzem o nível populacional pelo controle físico.

 Foto 02: Aphis gossypii

Bemisia tabaci – Circular Técnica 131 (Embrapa) 

O ataque desse hemíptero promove o aparecimento de pequenas pontuações brancas e amareladas na face inferior das folhas; na face superior, manchas cloróticas com aspecto brilhante, decorrentes da deposição de substâncias açucaradas excretadas pelos insetos, provocam a “mela” que, quando ocorre no período de abertura dos capulhos, resulta na redução da qualidade da fibra. A mosca-branca também é vetora de doenças, no caso do algodoeiro transmite o vírus do mosaico comum. As condições favoráveis ao aumento populacional são: presença de plantas hospedeiras (ervas daninhas e outras culturas agrícolas), déficit hídrico no solo e a não destruição dos restos culturais. 

Foto 03: Bemisia tabaci

Bicudo, Ramulária e Spodoptera

Alertamos para que pragas como o Bicudo-do-Algodoeiro não venha a aumentar continuamente, já que houve maior captura de indivíduos no armadilhamento do final de 2019. Como estratégias preventivas de controle, já bem difundidas, está a destruição dos restos culturais aliado a uma boa plantabilidade da cultura em sucessão, sendo o mais comum no Piauí, a soja e milho. As principais dificuldades na destruição dos restos culturais do algodoeiro (ou soqueira) é a baixa umidade no período de realização dessas atividades, dificultando a brotação para criar massa foliar, condição necessária para que as aplicações de herbicidas sejam eficientes. Além disso, não há consenso dos métodos de destruição de soqueiras, sendo o método “somente químico”, pela maior praticidade, usado em quase 30% das áreas. Segue abaixo os métodos usados, em porcentagem, no Estado e algumas observações:

Foto 04: Bicudo-do-Algodoeiro em área de rotação com soja

Destruição de soqueiras (restos culturais do algodoeiro) safra 2018/2019:
1- Triton + químico 38,4%
2 – Somente químico 29,25%
3 – Triton + Subsolador ou Grade + químico 25,58%
4 – Correntão + químico = 6,77%

Observações: Desses métodos, o mais eficiente pela observação, nesta safra, da menor quantidade de plantas soqueiras ou tigueras, foi o terceiro, uso de triton + subsolador ou grade + químico. O primeiro método, mais utilizado, tem apresentado bons resultados, embora caia naquela problemática informada acima, quanto a falta de umidade pois, em algumas propriedades tem-se boa eficiência e em outras nem tanto. Os outros dois métodos também têm a dificuldade da questão da umidade.

Vale destacar o resultado do plantio da cultura em sucessão nas áreas pós-algodão, pois o bom seria usar, no caso da soja, cultivares com maior engalhamento e agressividade, com o objetivo de “fechar rua” mais rápido, dificultando assim a maior proliferação de tigueras de algodão, sendo algo inevitável pela grande quantidade de caroço que caem no solo no ato da colheita. Todavia, o momento do plantio da soja também é relevante, sendo recomendado somente após algumas chuvas, fazendo com que haja boa brotação das soqueiras e seu controle com mais eficiência. 

De acordo com o Pesquisador da Embrapa Algodão, Valdinei Sofiatti, “os métodos hoje utilizados para destruir os restos da cultura são a destruição química, a mecânica e a combinação entre as duas técnicas… em experimentos realizados a combinação dos dois métodos para destruição de algodão transgênico controlaram quase 100% da soqueira, enquanto utilizando-se apenas o método químico, o controle ficou abaixo de 90%”.

A destruição adequada dos restos culturais do algodoeiro ajuda também a diminuir inóculos da ramularia areola que, ano a ano tem apresentado dificuldade no seu manejo, algumas safras mais que outras, mas que sempre vem apresentando problemas, principalmente quando coincide com temperaturas ideais para o inóculo da doença nas fases mais sensíveis da cultura, aliado a cultivares menos tolerantes. Nesta safra, apenas 13,36% das cultivares plantadas possui tolerância para ramularia areola. 

Foto 05: Ramularia areola

No terceiro informativo da Apipa, referente ao mês de março, destacamos pontos importantes, segundo Suassuna da Embrapa Algodão, no manejo da ramularia, como segue abaixo:

 “Antes de acabar o período residual do fungicida, é necessário monitorar novamente as plantas e caso sejam constatadas novas lesões com esporulação, deve-se iniciar a segunda aplicação, pois a não observação do ressurgimento das primeiras manchas poderá atrasar a aplicação dos fungicidas, podendo levar a redução da eficiência do controle tornando-o inviável. O controle com fungicidas tem sido o principal método de controle, mas deve-se atentar para o uso de cultivares com resistência ao fungo, principalmente naquelas áreas onde a pressão da doença é maior.” 

Logo abaixo, uma escala proposta por Aquino et al. 2008. 

Figura 01: Escala diagramática para avaliação da severidade da mancha de ramularia (Aquino et al. 2008).

Também alertamos para pragas como a Spodoptera frugiperda, que apesar de menor pressão na safra atual, importante chamar a atenção para que haja melhor manejo da praga, acrescentando, além de cultivares com bom nível de tolerância nesta safra, chegando a 41,17%, o monitoramento e controle do adulto, sendo uma estratégia muito eficiente. Nas cultivares com proteção para lagartas é necessário o uso de refúgio de pelo menos 5% da área.

Segue abaixo as perspectivas do algodão para essa safra conforme consta no terceiro informativo da Apipa: Considerando o contexto geral das lavouras em todos os núcleos produtores (Uruçuí, Bom Jesus, Santa Filomena e Coaceral) – bons stand’s, porte, quantidade de nós, estruturas reprodutivas, maior pressão de ramularia e menor de Spodoptera na maior parte, tem-se boas perspectivas de produtividade chegando a uma média de 300 @/ha no Estado, dentro da ótica que haverá chuvas suficientes em abril e maior atenção com a ramularia, além de outras pragas chaves como o bicudo e spodoptera.

Foto 07: algodão uniforme – boas perspectivas de produtividade

Por fim, espera-se, que na safra atual, a média de produtividade de algodão em caroço no Piauí cresça pelo menos 12,1% em relação à safra anterior, podendo chegar a 300 @/ha, com produção de 77859 mil toneladas de algodão em caroço (32700 mil toneladas de algodão em pluma e 41265 mil toneladas de caroço de algodão).

Fonte: Equipe APIPA-Fitossanidade

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