O potencial do Nordeste para produção de algodão orgânico

A região Nordeste tem um forte potencial para se consolidar na produção do algodão orgânico, segundo avaliação da Embrapa Algodão, que destaca a vantagem do semiárido nordestino na produção do insumo pela boa adaptabilidade que ela tem ao clima seco da região. Atualmente a região é a maior produtora de pluma de algodão do Brasil, com um total de 518 mil toneladas produzida na safra 2017/2018.

O algodão orgânico começa na plantação e é cultivado para chegar à produção têxtil livre de agrotóxicos e de produtos químicos comuns em plantações tradicionais.

“São áreas de produção ainda muito pequenas, que atendem a empresas que trabalham em nichos específicos de mercado. Se formos comparar com a produção nacional de algodão convencional, é bem baixo”, diz Fábio de Albuquerque, pesquisador da Embrapa Algodão.

No estado de Pernambuco, há apenas dois polos de produção, sendo um em Serra Talhada e outro em Ouricuri, municípios do Sertão. A produção de algodão orgânico no Nordeste é basicamente feita por pequenos agricultores. E para facilitar a vida deles, a Embrapa Algodão, em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande e do Instituto C&A, desenvolveram o SobControle, aplicativo que permite, por exemplo, monitorar e controlar as principais pragas que podem atacar as plantações. A previsão é de que a ferramenta seja lançada nacionalmente em 15 de março. Por enquanto, está sendo utilizada por cerca de 50 famílias do semiárido nordestino.

“O aplicativo surge da necessidade da informação chegar no tempo mais correto para o agricultor”, explica Albuquerque, destacando que a principal praga é o bicudo do algodeiro (uma espécie de besouro). Caso não seja controlado a tempo, o inseto pode inviabilizar até 70% de toda a produção. “Muitas vezes a detecção dessas pragas não é perceptível em tempo hábil, e é aí onde o aplicativo atua, para que tanto os agricultores quanto os técnicos que prestam assistência tenham subsídios para a tomada de decisão”, explicou.


Polo regional pode ser viabilizado

Outro fator que pode consolidar o Nordeste como um polo de produção do algodão orgânico é o potencial de crescimento do consumo. De acordo com a avaliação da Embrapa Algodão, existe mercado consumidor para esse tipo de produto, com disponibilidade inclusive de pagar preços mais altos. O grande desafio diz respeito ao aspecto organizacional dos pequenos produtores para que eles tenham acesso aos mercados nacional e internacional.

“Existe problema na parte organizacional, porque uma coisa é trabalhar com dois ou três agricultores, e outra completamente diferente é coordenar 800 pessoas. Isso precisa ser trabalhado. Existem algumas empresas de maior porte que têm interesse nesse tipo de algodão, mas elas só se aproximam (dos produtores) quando existe uma cadeia produtiva consolidada”, explicou Fábio de Albuquerque, pesquisador da Embrapa Algodão. De acordo com ele, atualmente há apenas duas grandes empresas que compram esse material, sendo uma localizada no estado de São Paulo e a outra no Paraná.

“Há também uma empresa que exporta para a Catalunha (Espanha). Ela tem sede lá, mas compra parte do algodão orgânico produzido no semiárido nordestino”, acrescentou.

Uma pesquisa realizada pela Textile Exchange, uma ONG que atua na promoção de boas práticas na indústria têxtil, apontou como benefícios do produto, a redução de 46% nas emissões de gases do efeito estufa, de 91% no consumo de água e de 62% no consumo de energia primária (solar e eólica, por exemplo). “O Nordeste, mesmo com a seca, é uma das áreas mais propícias para a produção porque trata-se de uma planta que tem boa tolerância à falta de água”, reforçou o pesquisador.

Fonte: Diário de Pernambuco

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