Publicado em 08/07/2020 às 17h53 |

Perspectivas do Algodão Piauiense safra 2019/2020

Perspectivas do Algodão Piauiense safra 2019/2020

 Perspectivas do Algodão Piauiense safra 2019/2020

Nesta safra, o plantio de algodão no cerrado Piauiense chegou a 17.302 hectares e, de acordo as avaliações a campo, possui ótimas perspectivas de produtividade, pois como já informado em notícias anteriores e no informático da Apipa número 003 (março 2020), os stands da maioria das áreas estão muito bons e mais uniformes que a safra 2018/2019. No entanto, para uma boa produtividade é necessário que ainda chova bem no mês de abril, em virtude do plantio ter-se realizado já no final de dezembro de 2019 e emergência da maioria das áreas em janeiro de 2020, ou seja, atraso de quase um mês, considerando os anos anteriores. 

Além da uniformidade do plantio, o que se percebe é uma menor pressão de lagartas, mas, entre outras menos importantes, pragas como o pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) e mosca-branca (Bemisia tabaci) tem apresentado pressão relevante em algumas áreas. O manejo dessas pragas é importante pois podem prejudicar a qualidade da pluma, principalmente a partir do momento que começa a abrir as primeiras maçãs. 

Aphis gossyppi – Circular Técnica 131 (Embrapa) 

A sucção contínua deixa as folhas dos ponteiros enrugadas, encarquilhadas e os brotos deformados. O desenvolvimento da planta é prejudicado e se verifica presença de mela nas folhas inferiores, que formam uma mancha brilhante constituída de material adocicado (honeydew) excretado pelos insetos; a mela atrai diversas formigas que vivem em simbiose com os pulgões e atrai, também, fungos Capnodium spp. que formam a fumagina, a qual dificulta a absorção da radiação solar pelas folhas da planta. No final do ciclo da cultura, a excreção do honeydew causa o chamado “algodão doce” ou o “algodão caramelizado”, ou seja, a pluma fica manchada e perde qualidade. As condições favoráveis ao aumento populacional são: condições de tempo nublado, quente e úmido e ausência de inimigos naturais, enquanto chuvas fortes reduzem o nível populacional pelo controle físico.

Bemisia tabaci – Circular Técnica 131 (Embrapa) 

O ataque desse hemíptero promove o aparecimento de pequenas pontuações brancas e amareladas na face inferior das folhas; na face superior, manchas cloróticas com aspecto brilhante, decorrentes da deposição de substâncias açucaradas excretadas pelos insetos, provocam a “mela” que, quando ocorre no período de abertura dos capulhos, resulta na redução da qualidade da fibra. A mosca-branca também é vetora de doenças, no caso do algodoeiro transmite o vírus do mosaico comum. As condições favoráveis ao aumento populacional são: presença de plantas hospedeiras (ervas daninhas e outras culturas agrícolas), déficit hídrico no solo e a não destruição dos restos culturais. 

Bicudo, Ramulária e Spodoptera

Alertamos para que pragas como o Bicudo-do-Algodoeiro não venha a aumentar continuamente, já que houve maior captura de indivíduos no armadilhamento do final de 2019. Como estratégias preventivas de controle, já bem difundidas, está a destruição dos restos culturais aliado a uma boa plantabilidade da cultura em sucessão, sendo o mais comum no Piauí, a soja e milho. As principais dificuldades na destruição dos restos culturais do algodoeiro (ou soqueira) é a baixa umidade no período de realização dessas atividades, dificultando a brotação para criar massa foliar, condição necessária para que as aplicações de herbicidas sejam eficientes. Além disso, não há consenso dos métodos de destruição de soqueiras, sendo o método “somente químico”, pela maior praticidade, usado em quase 30% das áreas. Segue abaixo os métodos usados, em porcentagem, no Estado e algumas observações:

Destruição de soqueiras (restos culturais do algodoeiro) safra 2018/2019:
1- Triton + químico 38,4%
2 – Somente químico 29,25%
3 – Triton + Subsolador ou Grade + químico 25,58%
4 – Correntão + químico = 6,77%

Observações: Desses métodos, o mais eficiente pela observação, nesta safra, da menor quantidade de plantas soqueiras ou tigueras, foi o terceiro, uso de triton + subsolador ou grade + químico. O primeiro método, mais utilizado, tem apresentado bons resultados, embora caia naquela problemática informada acima, quanto a falta de umidade pois, em algumas propriedades tem-se boa eficiência e em outras nem tanto. Os outros dois métodos também têm a dificuldade da questão da umidade.

Vale destacar o resultado do plantio da cultura em sucessão nas áreas pós-algodão, pois o bom seria usar, no caso da soja, cultivares com maior engalhamento e agressividade, com o objetivo de “fechar rua” mais rápido, dificultando assim a maior proliferação de tigueras de algodão, sendo algo inevitável pela grande quantidade de caroço que caem no solo no ato da colheita. Todavia, o momento do plantio da soja também é relevante, sendo recomendado somente após algumas chuvas, fazendo com que haja boa brotação das soqueiras e seu controle com mais eficiência. 

De acordo com o Pesquisador da Embrapa Algodão, Valdinei Sofiatti, “os métodos hoje utilizados para destruir os restos da cultura são a destruição química, a mecânica e a combinação entre as duas técnicas… em experimentos realizados a combinação dos dois métodos para destruição de algodão transgênico controlaram quase 100% da soqueira, enquanto utilizando-se apenas o método químico, o controle ficou abaixo de 90%”.

A destruição adequada dos restos culturais do algodoeiro ajuda também a diminuir inóculos da ramularia areola que, ano a ano tem apresentado dificuldade no seu manejo, algumas safras mais que outras, mas que sempre vem apresentando problemas, principalmente quando coincide com temperaturas ideais para o inóculo da doença nas fases mais sensíveis da cultura, aliado a cultivares menos tolerantes. Nesta safra, apenas 13,36% das cultivares plantadas possui tolerância para ramularia areola. 

No terceiro informativo da Apipa, referente ao mês de março, destacamos pontos importantes, segundo Suassuna da Embrapa Algodão, no manejo da ramularia, como segue abaixo:

 “Antes de acabar o período residual do fungicida, é necessário monitorar novamente as plantas e caso sejam constatadas novas lesões com esporulação, deve-se iniciar a segunda aplicação, pois a não observação do ressurgimento das primeiras manchas poderá atrasar a aplicação dos fungicidas, podendo levar a redução da eficiência do controle tornando-o inviável. O controle com fungicidas tem sido o principal método de controle, mas deve-se atentar para o uso de cultivares com resistência ao fungo, principalmente naquelas áreas onde a pressão da doença é maior.” 

Logo abaixo, uma escala proposta por Aquino et al. 2008. 

Também alertamos para pragas como a Spodoptera frugiperda, que apesar de menor pressão na safra atual, importante chamar a atenção para que haja melhor manejo da praga, acrescentando, além de cultivares com bom nível de tolerância nesta safra, chegando a 41,17%, o monitoramento e controle do adulto, sendo uma estratégia muito eficiente. Nas cultivares com proteção para lagartas é necessário o uso de refúgio de pelo menos 5% da área.

Segue abaixo as perspectivas do algodão para essa safra conforme consta no terceiro informativo da Apipa: Considerando o contexto geral das lavouras em todos os núcleos produtores (Uruçuí, Bom Jesus, Santa Filomena e Coaceral) – bons stand’s, porte, quantidade de nós, estruturas reprodutivas, maior pressão de ramularia e menor de Spodoptera na maior parte, tem-se boas perspectivas de produtividade chegando a uma média de 300 @/ha no Estado, dentro da ótica que haverá chuvas suficientes em abril e maior atenção com a ramularia, além de outras pragas chaves como o bicudo e spodoptera.

Por fim, espera-se, que na safra atual, a média de produtividade de algodão em caroço no Piauí cresça pelo menos 12,1% em relação à safra anterior, podendo chegar a 300 @/ha, com produção de 77859 mil toneladas de algodão em caroço (32700 mil toneladas de algodão em pluma e 41265 mil toneladas de caroço de algodão).

Fonte: Equipe APIPA-Fitossanidade

Mais notícias