Publicado em 01/03/2021 às 17h31 |

Algodão Safra 2020/2021 no Piauí

Plantio do Algodão

 

Nesta safra 2020/2021, o Piauí teve uma redução de quase 60% na área de Algodão. Conforme relatado no Informativo Técnico número 09/2020 da Apipa divulgado em 10/12/2020 aos produtores, agrônomos, técnicos e profissionais do setor, os principais motivos para essa grande redução nas áreas de plantio são: queda nos preços da pluma (historicamente tem sido apontado como o principal motivo para as reduções de área) associado aos bons preços da soja e do milho, produtores novos na cultura com pouca estrutura operacional podem ter contribuído para a decisão final e as baixas produtividades obtidas, tem contribuído com igual importância.

Abaixo segue o histórico das áreas de algodão no Piauí de acordo dados da APIPA – Associação Piauiense dos Produtores de Algodão.

* Os valores da safra 2020/2021, em vermelho, são apenas perspectivas

Áreas de plantio de Algodão no Piauí – Safras 2013/14 à 2020/21 (Fonte: dados da APIPA)

Armadilhamento para Bicudo do Algodoeiro

Um dos projetos que a APIPA vem executando desde a safra 2015/2016 é o Fitossanitário, desde a safra 2019/2020 com o tema “Ações Fitossanitárias e Agronômicas para apoiar a expansão do algodão no cerrado piauiense – safras 2019/20 a 2021/22”.

O armadilhamento para bicudo-do-algodoeiro, uma das principais pragas do algodão, é realizado todos os anos durante a pré-safra, normalmente entre outubro e dezembro, perfazendo um total de 9 (nove) semanas, tempo para realizar a captura dos insetos nas áreas que serão cultivados algodão e assim ser contabilizados todos os bicudos encontrados e realizar o BAS – Bicudo por Armadilha por Semana, que é uma referência e uma ferramenta para facilitar o manejo com a praga. No armadilhamento, são usadas armadilhas com feromônio dispostas nas áreas de plantio com 200 a 300 metros distantes umas das outras.

Segue abaixo o resultado do armadilhamento pré-safra 2020 e os resultados anteriores:

Fonte: Boletim Técnico 01 da Apipa

De acordo com a tabela, a safra 2019/2020 teve maior capturas de insetos, no entanto, isso não significa que os produtores devem baixar a guarda nessa safra atual por ter tido número baixo do BAS, mas sim aperfeiçoar o manejo com o bicudo e assim evitar que se prolifere e cause prejuízos.

Segue abaixo tabela do BAS para melhor orientação das aplicações em bordadura ou em área total, pois é uma referência de acordo o número de bicudos encontrado em cada fazenda ou talhão.

Fonte: Boletim Técnico 01 da Apipa

Plantio do Algodão safra 2020/2021

Nesta safra o plantio de algodão ocorreu 100% dentro da janela considerada ideal para a cultura no Estado, bem diferente da safra passada que teve quase 90% do algodão com emergência em janeiro, ou seja, saindo da condição ideal.

Além do plantio dentro da janela, foram bem feitos e temos poucas áreas com Stand’s baixo (inferior a 3-4 plantas por metro linear). O desenvolvimento do algodão está muito bom, com a presença de pragas comuns para o estádio atual (de 15 a 42 DAE), por enquanto as perspectivas são muito positivas. Os produtores já iniciaram o manejo com reguladores, coberturas e aplicações de fungicidas.

As cultivares mais plantadas nesse ciclo foram a DP 555 BGRR, FM 985 GLTP, TMG 44 B2RF (RX) e IMA 5801 B2RF (RX).

A cultura do algodão é muito complexa, mas aqui destacamos três pontos importantes que o produtor deve se atentar:

1 – manejar o Bicudo (Anthonomus grandis) usando estratégias como as aplicações em bordaduras, aplicações em área total de acordo estádio da cultura e monitoramento;

2 – cuidados com a Ramularia areola, pois todas as safras detectamos muitas áreas atacadas por essa doença e que tem baixado a média de produtividade;

3 – monitorar a lagarta Spodoptera para que seu controle seja realizado de forma adequada e sem causar grandes danos nas lavouras. Controlar a lagarta nos seus estádios iniciais é mais fácil, principalmente nas fases mais adiantadas do algodão. Controlar o adulto da lagarta é uma prática que pode trazer bons resultados (manejo preventivo).

Outros cuidados que devem ser tomados são em relação a pulgão, para que se evite as viroses e manejar bem cada cultivar no que se refere à regulador de crescimento, evitando que as plantas ultrapassem 1,3 metros de altura. Quanto as plantas daninhas, por ser um problema recorrente, tem sido manejado relativamente bem, já que a maioria das cultivares tem tecnologia para uso de herbicidas em pós emergência da cultura.

Clima

As chuvas estão muito desuniformes até o momento nesta safra, propriedades com chuvas regulares e outras com mais de 17 dias de veranico. Pelas avaliações iniciais poderá ter alguma redução de produtividade em soja e talvez no milho, já no Algodão, por enquanto está normal.

Essas avaliações foram complementadas durante a Rodada Técnica realizada entre os dias 01 e 06 de fevereiro.

Rodada Técnica

Na primeira semana de fevereiro, entre os dias 01 e 06, realizamos a primeira Rodada Técnica da Apipa com os consultores Dr. Eleusio Freire e Dr. Fábio Aquino (Embrapa Algodão).

O objetivo dessa visita foi fazer uma avaliação inicial das lavouras de algodão e as perspectivas dessa nova safra, além de fazer orientações quanto aos manejos que estão sendo realizados pelos produtores.

A visita dos consultores ao Piauí já acontece desde a safra anterior e tem acontecido normalmente a cada 45 dias, no entanto, essa safra já fizemos agendamento das visitas a cada mês.

Dr. Eleusio Curvelo Freire

Possui graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal da Paraíba (1971), mestrado em Agronomia (Fitotecnia) pela Universidade Federal do Ceará (1976) e doutorado em Agronomia (Genética e Melhoramento de Plantas) pela Universidade de São Paulo (1985). Foi pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, no periodo de 1974 a 2005, sendo atualmente consultor técnico científico em várias empresas, incluindo a APIPA.

Dr. Fábio Aquino de Albuquerque

Graduação em Engenharia Agronômica (1999) e Mestrado em Fitossanidade-Entomologia Agrícola pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2002). Doutor em Agronomia - Entomologia Agrícola pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006), Campus Jaboticabal. Atualmente é pesquisador - EMBRAPA ALGODÃO. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Entomologia e Acarologia Agrícola, atuando principalmente nos seguintes temas: algodão, mamona, ácaros de importância agrícola, mudanças climáticas globais e cultivos orgânicos.

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