Algodão no Cerrado Piauiense – Safra 2018/2019

A safra 2018/2019 apresentou algumas realidades do cultivo do algodoeiro no cerrado Piauiense e mostra alguns desafios para o futuro, entre eles, talvez os principais são o estabelecimento da cultura assim como adequar a janela ideal de plantio no Estado e controle e/ou ajustes do custo, melhorando o manejo de pragas e ajustando as cultivares de algodão vislumbrando não somente a tecnologia embarcada, mas também a produtividade e qualidade de fibra de cada uma, adequação de tecnologias para herbicidas aliado ao manejo eficiente de soqueiras de algodão após a colheita. Quanto a Janela de Plantio ideal para plantio do Algodão no Cerrado do Piauí, atualmente, é tido como referência, as datas entre 10 de Dezembro e 10 de Janeiro. Contudo, tem-se plantios bem antes e depois destas datas, ficando os primeiros iniciando nos últimos 10 dias de Novembro e os últimos indo até a segunda quinzena de Janeiro.

Essa janela de plantio equivale a um intervalo, entre algodão de primeira emergência e da última, de pelo menos 56 dias. Essa janela, considerada longa, leva a alguns questionamentos, eficiência no controle de Pragas, pois haverá no sistema cultivos, além do algodão, principalmente milho safrinha e milheto além de braquiária que tem sido bem aceita pelos produtores nas últimas safras, melhorando o perfil do solo – mantendo solos descompactados, oxigenação do solo, matéria orgânica, entre outros benefícios.

Bicudo-do-Algodoeiro (Anthonomus Grandis)

Com a janela de plantio maior, aumenta também os riscos no controle do Bicudo do Algodoeiro, que tem sido detectado, historicamente no Cerrado Piauiense, principalmente no inicio do Mês de Abril. No armadilhamento pré-safra em apenas uma região (Núcleo) detectamos Bicudo, já no armadilhamento que está em andamento (maio a julho) houve detecção em três regiões (Núcleos). Nessa safra 2018/2019, no Cerrado, estão sendo cultivados quase 15000 mil hectares com a malvaceae, distribuídos em cinco cultivares de algodão (FM983GLT, TMG81WS, DP555BGRR, DP1536B2RF e FM985GLTP). Esse é um número ainda pequeno, pois na safra 2011/2012 chegou-se a mais de 20 mil hectares, sendo que no Estado há muitos produtores grandes e tecnificados. Considerando apenas essa safra agrícola e o controle do Bicudo, principalmente quanto à destruição dos restos culturais (soqueiras) no ano de 2018, o risco fitossanitário tem-se considerado baixo, por alguns motivos óbvios, na safra anterior cultivou-se pouco mais de 6000 mil hectares de algodão em cinco propriedades agrícolas, porém, dessas, apenas duas tiveram áreas de rotação, ou seja, soja ou milho em sucessão ao algodão. A maioria repetiu “algodão em cima de algodão” diminuindo as áreas de rotação e o risco fitossanitário (remetendo apenas ao Bicudo, pois essa prática, dependendo de vários fatores, pode ser considerada insustentável, já que há outras pragas e doenças que aumentam sobremaneira). Essa alusão é verdadeira, pois quando estudamos o histórico do Bicudo em outras regiões, que atualmente há pressão da praga, os motivos principais são o “não controle de pragas nas áreas de rotação”, cultivadas com soja, mas principalmente milho.

Monitoramento Bicudo

Risco fitossanitário

Na safra futura haverá mais áreas de rotação, inclusive aumento de áreas com cultivo de algodão. Isso mostra que será necessário união dos produtores da região, atuais e novos, na observância dessas questões, evitando assim, que haja desequilíbrio no controle do Bicudo.

Em resumo, tanto o alongamento da janela de plantio como o aumento de áreas de rotação deverá ser bem avaliados. A destruição de soqueiras será de importância fundamental para que o Estado continue com uma pressão baixa do Bicudo, porém quanto a janela de plantio, há algumas problemáticas, falta de umidade do solo adequado em Dezembro e apodrecimento de maçãs para algodoes emergidos no inicio de Dezembro nos meses de Abril e Maio em anos mais chuvosos. Portanto, será necessário equacionar essas questões avaliando a melhor estratégia de olho no risco fitossanitário e produtividade da cultura.

Spodoptera frugiperda

Nessa safra em todas as propriedades agrícolas tiveram dificuldade no manejo com essa praga. As tecnologias embarcadas nos materiais não segurou a praga, salvo uma cultivar com a proteína vip3 embarcada, a mesma presente em alguns materiais de Milho.

Produtos Biológicos

Os produtos biológicos estão presentes há várias safras ou décadas, porém ainda há dúvidas tanto sobre o uso, mas principalmente sobre a verdadeira eficácia, dando brecha para os produtos químicos, com ação imediata em sua maioria. Atualmente há consenso entre professores e doutores que atuam no sistema agrícola como um todo, de que os produtos biológicos funcionam e deverá ser uma ferramenta de uso importante para as safras futuras, aliado ao manejo com os químicos e outras estratégias culturais.

A Apipa, estar preparando um projeto (em fase de avaliação), ao modelo de uma biofabrica da Amipa (Associação Mineira dos Produtores de Algodão), para desenvolver produtos biológicos no Estado, sendo uma ferramenta importante no combate às pragas do sistema agrícola, sobretudo a spodoptera.

Situações observadas na Safra 2018/2019

Entre as situações ou problemática enfrentada nesta safra tem-se a dificuldade no estabelecimento da cultura, excesso de chuvas na emergência, diminuindo assim os stands de vários lotes, mas também problemas relacionados a veranicos no mês de Dezembro, dificultando sobremaneira aplicações de cobertura e uso de reguladores de crescimento. Quanto as lagartas, pressão alta da lagarta Spodoptera frugiperda, conhecida também como lagarta militar. Além da dificuldade de atingir a praga nas aplicações, essa lagarta possui comportamentos dentro da planta que dificulta seu controle, é o caso da expressão das toxinas mas fortemente nas folhas e pouco nas flores, onde as lagartas costumam atacar e como não bastasse, a mesma fica alojada no interior das mesmas, dificultando atingi-las com inseticida. ALERTA: Especialistas alertam que a próxima safra (2019/2020), a exposição da proteína Vip3 estará mais exposta, tanto em Algodão como em Milho, logo o uso de refúgios será uma ferramenta importantíssima para diminuir a possibilidade da praga quebrar a resistência dessa proteína.

Problemas como apodrecimento, principalmente na primeira quinzena do mês de Abril e início do mês de Maio, onde as chuvas se intensificaram.

Bicudo apareceu no inicio de Abril, mas até o momento, não se tem relatos de dano econômico, a preocupação esta em eliminar essas pragas nesse final de ciclo evitando altas populações na safra seguinte.

Colheita de Algodão

A colheita de Algodão iniciou no dia 04 de Junho na região de Bom Jesus. A perspectiva de produtividade média no Estado que beirava as 300 arrobas por hectare, deverá ficar em torno de 270 arrobas. O apodrecimento e a pressão de spodoptera são os principais responsáveis por essa queda na produtividade. Essa produtividade se confirmando pode gerar mais de 69 mil toneladas de algodão em caroço, 28 mil toneladas de algodão em pluma e pouco mais de 34 mil toneladas de caroço de algodão.

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